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  2   TITO ROSEMBERG - ENTREVISTA REVISTA 360 GRAUS - OUTUBRO 2004
 
360 - Qual desses países mais te marcou positivamente? E negativamente?

Tito - Quando eu era jovem e menos experiente, apaixonei-me pela Grécia e seus habitantes, que pareciam ser as pessoas mais simpáticas que já havia conhecido. O carinho das pessoas comuns que me convidavam para suas casas ou mesas de bares foi fundamental na minha formação. Já no lado negativo me lembro muito bem da Colômbia, que conheci em 1981 quando voltava dos Estados Unidos para o Brasil de carona e transporte público. O terror estampado na cara das pessoas por onde passava, os constantes pedidos dos colombianos para que eu tomasse cuidado com ladrões e as histórias que ouvia de violências contra outros viajantes, fizeram das poucas semanas que estive lá um exercício de paranóia. 360 - O que o fascina nessas viagens e o faz querer viajar sempre mais?

Tito - Minha mãe diz que quando criança eu sempre queria fugir da pracinha onde ela me levava para brincar em Copacabana. Ela tinha que ficar sempre me vigiando. O prazer de estar longe das minhas certezas exerce um fascínio que mal consigo controlar. Até hoje, quando inicio uma viagem sou tomado por uma euforia indescritível. Quando a vida vai bem, tenho bons trabalhos, conta no banco garantindo alguns meses de sobrevivência pela frente e fiz amigos no lugar onde estou, logo começo a sonhar com viagens para algum lugar. Se a vida está tranqüila eu já fico coçando. Por esta razão a definição de “aventureiro” me parece fora do contexto, pois se posso ser classificado de alguma coisa, creio que viajante é o mais adequado. Uma frase sobre um personagem numa obra do escritor Paul Bowles me parece clássica: “Ele não pensava de si mesmo como um turista, ele era um viajante. A diferença é parcialmente de tempo, ele explicaria. Enquanto um turista geralmente corre de volta para casa no final de algumas semanas ou meses, o viajante, não pertencendo nem a este ou aquele lugar, move-se lentamente, ao longo dos anos, de uma parte da Terra a outra”. Acho que eu sou mais ou menos assim.


"Sou um jor nalista e viajo porque o mundo está aí. Por que razão alguém iria me
patrocinar no meu processo educativo?"


360 - Como você conseguia levantar dinheiro para suas viagens?
Tito - Primeiro, antes de partir, imaginava todas as dificuldades que teria pela frente, que teria que dormir embaixo de pontes, em albergues coletivos, dentro de carros, no chão da casa de desconhecidos. Sabia que nada seria fácil e muito menos confortável. Depois, como bom virginiano, passava a trabalhar como um maníaco e gastando como um pão duro apesar das reclamações dos amigos. Estimo que com um ano de trabalho duro e economia de guerra consiga economizar o suficiente para dois anos de viagens sem luxo algum. Basta alguém ler a biografia que tenho no meu site para ver quantas profissões tive para poder viajar. Tive também muita sorte. Digo sempre para a garotada que me escreve pedindo dicas, que desfrutei de uma época dourada da economia planetária. No período em que iniciei-me na estrada, era fácil lavar pratos em Londres e juntar dinheiro, assim como era fácil cantar nas estradas, ser carpinteiro nos Estados Unidos, fazer pranchas em Porto Rico e enfrentar os oficiais de imigração do primeiro mundo. Hoje a economia mundial está em recessão, é difícil concorrer com os desempregados da Europa e dos Estados Unidos. Na Inglaterra meu salário como lavador de pratos vinha dentro de um envelope identificado “mr. brazil”. Hoje, com a recessão e o terrorismo, viajar é quase um saco. Os desconhecidos são “suspeitos”. O primeiro mundo ficou paranóico. As formalidades nas fronteiras estão insuportáveis e qualquer viajante é um “terrorista” em potencial. O mundo mudou muito, e não foi para melhor.

"O primeiro mundo ficou paranóico. A s for malidades nas fronteiras estão insupor táveis e
qualquer viajante é um “terrorista” em potencial. O mundo mudou muito, e não foi para melhor."


360 - Hoje vemos um volume absurdo de pessoas querendo viajar sem recursos, mas procurando sempre um patrocinador que banque a viagem, transformando a viagem numa “expedição”. Qual é sua opinião sobre isso?

Tito - Como nunca dependi de patrocínio para poder viajar, eles nunca me fizeram falta. Nunca sai do país para bater recordes ou entrar para o Guinness. Queria apenas expandir meus horizontes e conhecer o mundo, falar outros idiomas, saber como pensam ciganos, tuaregues e havaianos. Nunca tive sequer coragem de pedir patrocínio para empresas porque não tinha nada para oferecer em troca. Sou um jornalista e viajo porque o mundo está aí. Por que razão alguém iria me patrocinar no meu processo educativo? Digo sempre isto para jovens que me escrevem perguntando como conseguir patrocínio. Se o cara quer apenas conhecer o mundo, tem que ir trabalhando ou financiado pelos pais que são os maiores interessados no crescimento cultural de seus filhos. Se o pai não é rico ou não concorda, não adianta procurar esta ou aquela empresa, vá a luta!Hoje está cheio de gente indo em 15 dias de carro até o Alasca, ou escalando picos tenebrosos só para sair no jornal, ou dando a volta ao mundo sem parar, num veleiro em solitário e com os pés amarrados. Me diga o que você aprende viajando nestas velocidades? Acho que só a dirigir. Se quero conhecer o Brasil não preciso de uma montadora ou banco para me financiar. Eles não são responsáveis pelo meu crescimento cultural. Por outro lado nunca me interessei em quebrar recordes e por isto nunca fui “marquetável”. Se bem que não me incomodaria em receber um salário digno para seguir sendo jornalista aqui no país onde nasci. Mas no Brasil só os empresários do jornalismo vivem decentemente enquanto os repórteres e jornalistas são tão explorados que mal conseguem pagar seus aluguéis e escola dos filhos. Como viver de jornalismo no Brasil ainda é sonho, pois as empresas jornalísticas raramente respeitam sequer seus leitores, muito menos seus profissionais, continuo nesta vida cigana.

 
 
 
 
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